Brasil: O País da Ansiedade
06/01/2026

A ansiedade faz parte da vida. Ela aparece antes de uma entrevista de emprego, na expectativa de uma prova ou diante de uma situação nova. Até certo ponto, é uma reação natural do corpo que existe para nos preparar para desafios. O problema é quando esse sentimento, que deveria ser passageiro e administrável, sai do controle e começa a afetar o indivíduo de maneira quase que constante — mesmo quando não há perigo real.
Os transtornos de ansiedade são as afecções mentais mais comuns no mundo e, em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou o Brasil como o país mais afetado pela ansiedade no planeta, com 18,6 milhões de acometidos (9,3% da população). Infelizmente, nos últimos anos, especialmente após a pandemia, esses números vêm aumentando: segundo dados da pesquisa Covitel, de 2024, 26,8% da população - 56 milhões de brasileiros - convive com ansiedade em níveis patológicos. Para se ter uma ideia, a estimativa a nível mundial é de que 4,4% da população seja acometida.
Vivemos em um ritmo acelerado: excesso de tarefas, cobrança por produtividade e alto desempenho, pressão das redes sociais, comparações constantes, excesso de estímulos e pouco tempo para descanso genuíno. Nosso cérebro não foi programado para lidar com alertas contínuos; ele busca equilíbrio. Quando não encontra, reage e adoece.
O Transtorno de Ansiedade Generalizada, principal representante das patologias ansiosas, é caracterizado como ansiedade e preocupação excessivas, que ocorrem na maior parte do tempo, por pelo menos 6 meses e relacionadas a diversos eventos ou atividades e mais alguns outros sintomas associados. Além disso, ela também pode causar sensações físicas, como coração acelerado, dificuldade para respirar, tensão muscular, dores no corpo, suor frio, “aperto no peito”, sensação de descontrole ou uma inquietação constante que não passa.
Ansiedade não é drama, fraqueza e nem falta de fé. Por muito tempo, a ansiedade foi tratada como exagero ou como sinônimo de “frescura”. Muitas pessoas ouviam (e ainda ouvem) frases como “você pensa demais”, “isso é falta de ocupação”, “você precisa ser mais forte” ou “é só ter mais fé que passa”. Esse tipo de comentário, além de injusto, faz com que muita gente silencie o sofrimento e demore a pedir ajuda. Hoje sabemos que a ansiedade é uma condição emocional legítima, com causas biológicas, psicológicas e sociais. A pessoa não “decide” ficar ansiosa. Da mesma forma, não consegue simplesmente “desligar” a ansiedade com pura força de vontade.
A ansiedade começa a se tornar um problema quando deixa de ser uma reação natural a situações específicas e passa a invadir o dia a dia. Alguns dos sinais que indicam que é hora de procurar uma avaliação profissional: quando a preocupação surge sem motivo claro ou parece maior do que a situação exige; quando o corpo vive constantemente em “modo alerta”; quando o sono, o trabalho, os estudos ou os relacionamentos começam a ser prejudicados; ou quando a pessoa passa a evitar situações por um medo desproporcional.
Reconhecer que algo não vai bem e pedir ajuda não é fraqueza — é maturidade emocional. Ansiedade tem tratamento, tem acompanhamento e tem solução. Você não precisa enfrentar tudo sozinho(a). Uma vida mais leve, com mais presença e menos medo, é possível — e começa com o primeiro passo. Buscar ajuda é um ato de coragem.
